Boas Férias

Novos visitantes!!!

Por informação da Google Statistics, o nosso blogue tem novos visitantes, os quais acedem com frequência às nossas postagens.

Sem dúvida, um motivo de orgulho para todos nós e para a escola.



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01/10/10

A ÁGUA FONTE DE INSPIRAÇÃO (IV)


MAR PORTUGUÊS


Fernando Pessoa






Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!



Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.



Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.


Contributo do 5ºB

A ÁGUA FONTE DE INSPIRAÇÃO (III)




DESCALÇA VAI PARA A FONTE


Luís de Camões

 
 
 
 
 
 
 
Descalça vai para a fonte


Leonor, pela verdura;

vai formosa e não segura.



Leva na cabeça o pote,

o testo nas mãos de prata,

cinta de fina escarlata,

sainho de chamalote;

traz a vasquinha de cote,

mais branca que a neve pura;

vai formosa e não segura.



Descobre a touca a garganta,

cabelos de ouro o trançado,

fita de cor de encarnado…

tão linda que o mundo espanta!

chove nela graça tanta

que dá graça à formosura;

vai formosa, e não segura.

 
Contributo do 5ºB

A ÁGUA FONTE DE INSPIRAÇÃO (II)




A NEVE
Augusto Gil






Batem leve, levemente,

como quem chama por mim...

Será chuva? Será gente?

Gente não é, certamente

e a chuva não bate assim...



É talvez a ventania;

mas há pouco, há poucochinho,

nem uma agulha bulia

na quieta melancolia

dos pinheiros do caminho...



Quem bate, assim, levemente,

com tão estranha leveza,

que mal se ouve, mal se sente?

Não é chuva, nem é gente,

nem é vento, com certeza.



Fui ver. A neve caía

do azul cinzento do céu,

branca e leve, branca e fria...

Há quanto tempo a não via!

E que saudade, Deus meu!



Olho-a através da vidraça.

Pôs tudo da cor do linho.

Passa gente e, quando passa,

os passos imprime e traça

na brancura do caminho...


Fico olhando esses sinais


da pobre gente que avança,

e noto, por entre os mais,

os traços miniaturais

de uns pezitos de criança...



Que quem já é pecador

sofra tormentos... enfim!

Mas as crianças, Senhor,

porque lhes dais tanta dor?!...



E descalcinhos, doridos...

a neve deixa inda vê-los,

primeiro, bem definidos,

- depois em sulcos compridos,

porque não podia erguê-los!...

Porque padecem assim?!



E uma infinita tristeza,

uma funda turbação

entra em mim, fica em mim presa.

Cai neve na natureza...

– e cai no meu coração.



Contributo do 5ºB

A ÁGUA FONTE DE INSPIRAÇÃO (I)





LÁGRIMA DE PRETA
António Gedeão









Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.





Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.



Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.



Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.



Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:



Nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.


Contributo do 5ºB